Fim da estrada para a Onça Pintada?


A população de Onça Pintada no Parque Nacional do Iguaçu - um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica - caiu drasticamente de 180 para 18 indivíduos nos últimos anos. Enquanto isso, políticos estão às portas de aprovar um projeto de reabertura da Estrada do Colono que corta o parque ao meio e pode acelerar impactos ambientais de curto e longo prazo - entre eles, a extinção da onça. Saiba como você pode ajudar a reverter esse processo.



90% a menos

O resultado de um estudo divulgado no último mês é alarmante: a população de Onças Pintadas no Parque Nacional do Iguaçu, maior remanescente da Floresta Estacional Semi-decidual do país, teve uma queda de 90% nos últimos anos [1]. São várias as causas para essa redução (link); entre elas está o atropelamento de animais nas estradas vizinhas ou no interior do parque.   

Macho atropelado em estrada no PN do Iguaçu

Para piorar este cenário, o deputado federal ruralista Assis do Couto (PT-PR)  lançou o projeto de reabertura da Estrada do Colono; antiga estrada de 17 km que cortava a unidade de conservação entre Serranópolis do Iguaçu, no oeste, e Capanema, no sudoeste do Paraná, e que foi fechada em 2003 por motivos de preservação do parque.
Esse projeto ganhou força muito rápido e deve passar por discussão no plenário da Câmera Federal e no Senado nos próximos dias.


Um argumento de "amigo da onça"

Apropriando-se errôneamente do conceito de "Estrada Ecológica" [2], o deputado e defensores afirmam que a Estrada do Colono, se bem fiscalizada, servirá como apoio à preservação do parque. Conversa para boi dormir. Conforme afirmou o secretário estadual de Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida, “ao abrir a estrada, estamos criando mais uma demanda para o precário sistema de gestão das unidades de conservação”.

Estrada do Colono

 A verdade é que a sua reabertura possibilitaria um acesso muito mais rápido entre os lados opostos do parque; e por isso acaba conquistando muitos simpatizantes na região, principalmente aqueles envolvidos em atividades econômicas como o agronegócio, o transportes e o comércio de mercadorias (muitos deles políticos). A estrada também beneficiaria as obras da grande Usina do Baixo Iguaçu, nas proximidades do parque. Todos os interesses bem amarrados. Como contra-argumento, seus defensores acusam os pesquisadores, os ambientalistas e grande parte da opinião pública de quererem evitar o progresso econômico da região.  


Concordamos que há muito o que ser discutido ainda, de forma a oferecer melhores alternativas para as pessoas da região. Mas sabemos que esse "progresso" virá as custas de muito impacto ambiental [3], e pode acelerar o fim das onças no local (já está previsto para menos de 80 anos). A extinção do principal predador do ecossistema causaria um desequilíbrio em efeito dominó, com reflexos não apenas na fauna quanto na flora. Um projeto desses não pode ser aprovado assim, de uma hora para outra, sem muita discussão e consenso. Usando as palavras da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, "sou frontalmente contra a reabertura. Isso é inaceitável. Não é preciso reabrir a estrada para promover o desenvolvimento sustentável no Paraná. É possível buscar alternativas para os municípios que estão no entorno do parque, mas não com a destruição da reserva”.


Você pode ajudar

Há cientistas e voluntários correndo contra o tempo para reverter o processo de diminuição populacional de grandes mamíferos na região.
Você também pode ajudar. Participe da petição encabeçada pela SOS Mata Atlântica contra a reabertura da estrada. Segue o link:


Não aceite explicações fajutas de políticos que escondem interesses financeiros numa roupagem ecológica. A extinção de um exemplar tão importante de nossa fauna é uma estrada de mão única, um caminho sem volta.








http://www.oeco.org.br/convidados-lista/27165-estrada-do-colono-nao-se-habilita-a-estrada-parque

[3] Facilidade de acesso para infratores, circulação de animais carregados pelos veículos que levariam doenças às espécies nativas, poluição, atropelamentos, infestação de plantas oportunistas (invasão biológica), incêndios clandestinos ou acidentais, entre outros.

[4] Mais informações:
http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/meio-ambiente/conteudo.phtml?id=1370377&tit=Volta-da-Estrada-do-Colono-implica-em-multiplas-ameacas-ambientais

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Sobre o autor: Família, amigos, florestas, montanhas, praias, bichos, música, aventura, antropologia, história, ciência, literatura, audiovisual e, lá no fundo, talvez o João. ProjetoEntreSerras

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