Mato sem bicho - A "desfaunação" da Mata Atlântica


80% da Mata Atlântica remanescente de uma vasta região que vai do leste de Minas Gerais à Sergipe está sofrendo um processo sério de "desfaunação", ou seja, de sumiço da fauna nativa. Segundo uma extensa pesquisa de campo realizada por cientistas brasileiros e britânicos numa área de 250 mil km2, quase todos os mamíferos pesando mais de 5 kg estão exterminados dessas florestas (em torno de 200 fragmentos florestais).
Das 18 espécies de mamíferos pesquisadas pelos cientistas - como onças, antas, veados, tamanduás e macacos-prego - apenas quatro, em média, ainda ocorrem por fragmento de mata com tamanho entre 50 hectares e 5.000 hectares. Os únicos mamíferos a resistirem em mais da metade dos fragmentos estudados são os saguis - primatas onívoros bastante adaptáveis. Depois vem as preguiças, pacas, bugios e raposas. Já onças-pintadas, queixadas, tamanduás, antas e muriquis podem ser considerados praticamente extintos nesses pedaços da mata atlântica.
A desfaunação é grande tanto nos pequenos quanto nos grandes remanescentes florestais, pois mesmo onde a mata não foi derrubada, a caça continuou e continua sendo comum até hoje, o que acabou com as espécies grandes. Uma coisa reforça a outra - a fragmentação diminui os espaços que as espécies necessitam para sobrevivência, encurralando os indivíduos em pequenas porções de floresta onde a caça só vem acabar o serviço, dizimando a espécie.
O fato é que mais de 80% dos fragmentos que ainda restam da mata atlântica em todo o Brasil estão nas mãos de particulares. Depende deles a conservação desse bioma. Se a cultura do desmatamento e da caça tiver fim pela iniciativa desses proprietários, as espécies terão uma chance de sobreviver.
Mesmo as áreas de reserva florestal estão ameaçadas, pois a pressão do entorno é constante sobre elas e há pouco investimento na fiscalização.
Portanto, a sobrevivência da fauna está amparada em quatro pilares: 1- educação e conscientização ambiental; 2- reflorestamento; 3- unidades de conservação; 4- fiscalização.
Assistam a esse dois excelentes vídeos que ilustram muito bem o assunto, com uma pitada de esperança:

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Sobre o autor: Família, amigos, florestas, montanhas, praias, bichos, música, aventura, antropologia, história, ciência, literatura, audiovisual e, lá no fundo, talvez o João. ProjetoEntreSerras

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