Mata Atlântica: Ecossistema 2 - Floresta Estacional Semidecidual


Conhecida também como Mata Atlântica de Interior, é uma fitofisionomia intrínseca ao bioma Mata Atlântica, constituindo uma formação transacional entre as florestas de encosta litorâneas (Floresta Atlântica) e as formações não florestais de interior (como o Cerrado, a Caatinga e os Pampas).

Fragmento de floresta
É um ecossistema intensamente explorado pela ação do homem, por cobrir regiões de planalto com topografia muito propícia ao desenvolvimento da agricultura e da pecuária, ao contrário da topografia acidentada das regiões de Floresta Atlântica. Hoje está restrita a fragmentos muito isolados em algumas propriedades privadas e em poucas unidades de conservação, estando sua biodiversidade seriamente ameaçada. 

A nomeclatura Estacional Semidecidual  (estacional = estação do ano; Semi = parcial; Decidual = queda) vem da característica de sua vegetação perder parcialmente suas folhas em função de dois diferentes períodos climáticos - chuvas e secas. Dessa forma, as árvores podem auto-regular seu balanço hídrico, perdendo suas folhas em períodos de menor incidência das chuvas e cobrindo-se de verde nos períodos mais chuvosos do ano. O nível de decidualidade varia em relação à duração do período de seca e às temperaturas mínimas e máximas.






Assim como a Floresta Atlântica, esse ecossistema está estruturado em estratos - arbóreo com dossel, arbustivo com sub-bosque e herbáceo - de uma vegetação densa com árvores que podem atingir até 40 metros de altura. Considerável ocorrência de epífitas e samambaias nos locais mais úmidos, e grande quantidade de cipós, trepadeiras e lianas. Seus processos ecológicos se assemelham muito aos da Floresta Atlântica, com algumas diferenças principalmente no fato de estarem presentes em solos mais secos e de apresentarem queda das folhas dependendo da estação.  


Localização





Levando em conta as diferenças de relevo e clima, os cientistas costuma dar as seguintes subdivisões para melhor estudar esse ecossistema:

  • Floresta Estacional Semidecidual Aluvional: É uma formação encontrada com maior freqüência na grande depressão pantaneira mato-grossense do sul, sempre margeando os rios da bacia do rio Paraguai.
  • Floresta Estacional Semidecidual de Terras Baixas: do Rio Grande do Norte ao Rio de Janeiro, desde o sul da cidade de Natal até o norte do Estado do Rio de Janeiro, nas proximidades de Campos até as proximidades de Cabo Frio.
  • Floresta Estacional Semidecidual Submontana: Esta formação ocorre freqüentemente nas encostas interioranas das Serras da Mantiqueira e dos Órgãos, e nos planaltos desde o Espírito Santo e sul da Bahia até o Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, sudoeste do Paraná e sul do Mato Grosso do Sul. Presente também no Rio Grande do Sul.
  • Floresta Estacional Semidecidual Montana; São poucas as áreas ocupadas por esta formação estabelecida acima de 500 m de altitude. Situa-se principalmente na face interiorana da Serra dos Órgãos, no Estado do Rio de Janeiro; na Serra da Mantiqueira, nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais; e no Espírito Santo - Caparaó.


Vegetação



Destaque para as as "madeiras de lei", árvores intensamente exploradas por sua madeira nobre até quase a sua exaustão. Entre as espécies mais conhecidas de árvores da Floresta Estacional Semidecidual estão a Peroba, o Cedro, o Ingá, o Ipê, a Paineira, o Angico, o Jequitibá, a Canela, o Jatobá, a Sapucaia, a Sibipiruna, entre outras. Coqueiros como o Jerivá, também são muito comuns.


Ipê-amarelo


Considerável ocorrência de epífitas e samambaias nos locais mais úmidos, e grande quantidade de cipós, trepadeiras e lianas.

Fauna



Mamíferos: Onça-Pintada, Suçuarana, Jaguatirica, Anta, Queixada, Quati, Cachorro do Mato, Tatu, Tamanduá, Veado Mateiro, Mico estrela, Bugio, Morcego, entre outros.

Tamanduá-mirim

Queixada

Aves: Harpia, Carcará, Tucano Toco, Arara Vermelha, Jacu, Papagaios, Periquitos, Maritacas, Garças, Gralha, Anú-Branco, Anú-Preto, Bacurau, Urutau, Bicudo, entre várias outras espécies.

Arara-vermelha
Tucano toco

Urutau
Harpia

 
Répteis: Cobras peçonhentas como Jararaca, Urutu e Coral Verdadeira, e cobras não peçonhentas como Caninana, Cobra-cipó, Coral-falsa, Muçurana e Cobra D'Água. O Lagarto Teiú e o Calango são abundantes; chama atenção uma espécie de lagarto sem patas: a Cobra-de-duas-cabeças. Há, também, Jabutis e Cágados. 

Coral-verdadeira
Cobra-de-duas-cabeças

Calango
Jabuti


Anfíbios: variadas espécies de sapos, rãs e pererecas.



Os  Invertebrados constituem a população mais numerosa.




Situação Atual





O grau de destruição e fragmentação dessa floresta foi tamanho, que no Brasil restam menos de 3% da cobertura original. Seus maiores trechos conservados estão no Parque Estadual Morro do Diabo, no Parque Nacional do Iguaçu e no Parque Estadual do Turvo.


Parque Estadual Morro do Diabo
Parque Nacional do Iguaçu
Parque Estadual do Turvo

O restante dos remanescentes dessa floresta no interior paulista e mineiro, por exemplo, não ultrapassam 10hectares. Para que um fragmento seja considerado grande e que abrigue espécies significativas do bioma, como grandes mamíferos ( onça-pintada, etc.), ele precisa ter no mínimo 10.000hectares (100km²). No interior de São Paulo, o único fragmento que tem área maior de 10.000hectares é o já citado Parque Estadual Morro do Diabo.



A agricultura, a pecuária e a exploração de madeira extensivas e insustentáveis causaram essa fragmentação. Devido a esse processo, a troca genética das espécies de animais e plantas fica muito dificultada, o que acaba isolando-as, enfraquecendo-as e colocando-as em sério risco. A caça e a introdução de espécies exóticas só vêm agravar essa situação. 

Tanto que uma pesquisa realizada neste ano de 2012 por biólogos brasileiros e americanos revelou o desaparecimento de grandes e médios mamíferos da Mata Atlântica no Nordeste brasileiro (Leia aqui um post sobre esse processo de "desfaunação"). Em dois anos, cinco grandes mamíferos deixaram de existir nessas florestas: a Onça-Pintada, a Anta, o Queixada, o Tamanduá-bandeira e o Muriqui. Se os impactos da fragmentação e caça não forem controlados no Sudeste, Sudoeste e Sul do país, poderão ter o mesmo resultado. 



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Sobre o autor: Família, amigos, florestas, montanhas, praias, bichos, música, aventura, antropologia, história, ciência, literatura, audiovisual e, lá no fundo, talvez o João. ProjetoEntreSerras

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