Os melhores vídeos sobre a Mata Atlântica

Não é fácil encontrar documentários dedicados especificamente à Mata Atlântica - aquele que um dia foi o maior Bioma brasileiro. Ainda mais se compararmos com a quantidade de materiais audiovisuais que abordam a Amazônia, o Pantanal e até mesmo o Cerrado.
 Ainda assim, fiz uma busca na internet e consegui algumas obras muito interessantes, as quais compartilho abaixo. Provavelmente há muitas outras que desconheço; neste caso, agradeço indicações nos comentários ao final deste post.


Mata Atlântica e os Ciclos de Vida

O documentário mais rico em imagens e mais profundo em informações sobre a Mata Atlântica que eu encontrei. Na verdade ele trata exclusivamente do ecossistema Floresta Atlântica. Épicos registros de animais nada fáceis de se observar.  O fio condutor do documentário é a busca pela sobrevivência por parte de um Macuco, simpática ave solitária de hábitos terrícolas, que nos dá uma aula de adaptação. Ao mesmo tempo o documentário desvenda essa teia tão delicada que une todos os seres vivos no interior dessa floresta; e de certa forma o ser humano que muito depende das águas que correm nas veias dessas matas, entre outros benefícios.
Esse documentário chega a emocionar os amantes da Mata Atlântica, com registros em vídeo tão preciosos e inéditos.
Co-produção: Grifa Filmes e Bossanova Filmes



Corredor da Vida - Mata Atlântica e Serra do Mar

O grande mérito desse trabalho está em mostrar a complexa teia que liga o cidadão urbano à Mata Atlântica. É um bom documentário introdutório sobre o assunto; responde às seguintes perguntas: Onde está localizada a Mata Atlântica? Quais os impactos que sua área sofreu com os ciclos econômicos e a expansão urbana? Que riqueza ela ainda guarda? O que é um Corredor de Biodiversidade? E a pergunta mais importante de todas: O que você tem a ver com tudo isso?




Mata Atlântica - Programa Expedições

Ótimo episódio do Programa Expedições, dos diretores Paula Sardanha e Roberto Werneck  - um programa que completou 15 anos de muita estrada, cultura e natureza desse Brasil.
Esse programa é um especial sobre a Mata Atlântica. Traz um depoimento histórico do querido professor Aziz Ab'Saber, grande geógrafo brasileiro falecido neste ano de 2012; ele foi um dos responsáveis por mapear os ecossistemas brasileiros como os conhecemos hoje e foi umas das pessoas que mais lutou contra os prejuízos do desmatamento no país. Há um ótimo depoimento do diretor do SOS Mata Atlântica, Mário Mantovani, outro importantíssimo protagonista da preservação do bioma. Os dois juntos nos fornecem importantes conceitos para pensarmos a importância e o estado atual dessas nossas florestas. 



Mata Atlântica - CNRBMA

Outro ótimo vídeo muito bem detalhado e com ótimas reflexões. Foi dirigido por Paulo Rufino em 2003. Conta, também, com uma linda exposição do professor Aziz Absaber sobre o nascimento dessas matas e ótimas explicações de história natural por parte do professor (e famoso compositor) Paulo Vanzolini. Entra em detalhes históricos e antropológicos. Trata, também, do manejo e certificação de recursos florestais (palmito, erva mate e piaçava) da Mata Atlântica, envolvendo as comunidades tradicionais.



A História da Mata Atlântica

Vídeo resumido, porém bastante informativo, sobre a história da exploração da Mata Atlântica; utiliza-se de ilustrações históricas magníficas de artistas como Johann Moritz Rugendas.




Leia mais...

O Tatu-Bola e a Copa do Mundo de 2014


O mascote brasileiro da Copa do Mundo de 2014 será um Tatu-Bola de nome Fuleco (junção de futebol + ecologia). Controvérsias à parte quanto ao nome, o mascote ficou bem legal e a escolha dessa espécie em particular veio em boa hora: os tatus, em geral, são animais bastante negligenciados - correm perigo de extinção pela caça e destruição de seu habitat; no caso do Tatu-Bola a situação é ainda mais grave. Ele é uma das 21 espécies de tatu que existem no mundo. Dessas dez habitam o Brasil. Essa espécie (Tolypeutes tricinctus) é a menor, menos conhecida e única espécie de tatu endêmica do Brasil, pois a sua distribuição se restringe à Caatinga e ao Cerrado brasileiros.

Com o aumento populacional humano - que acarreta a perda da habitat e aumento da caça - e a expansão agrícola (principalmente da soja) no oeste baiano, há a previsão de redução populacional dessa espécie de 50% em 10 anos, e sua provável extinção da natureza em 50 anos. Além disso, muitos métodos usados para cozinhar esse animal após sua caça são cruéis ao extremo: o colocam ainda vivo em formato de bola na água quente. 

Que essa exposição mundial através da Copa do Mundo traga destaque merecido para esse animal incrível e incentivem seu estudo e preservação.






Outras espécies da fauna e flora brasileira receberão um destaque especial nos cartazes de algumas cidades que sediarão a Copa. Sem dúvida, esse é o evento futebolísitico com a viés mais ecológico realizada até hoje:


A Arara Vermelha no cartaz de Manaus



O Tuiuiú no cartaz de Cuiabá



A Araucária no cartaz de Curitiba




Leia mais...

Petar - Parque Estadual Turístico do Alto do Ribeira

Labirintos de Cavernas no maior remanescente de Mata Atlântica do Brasil
 
Onde Fica: Extremo sul do Estado de São Paulo, a 320km da capital, entre as cidades de Iporanga e Apiaí.
O que fazer: Espeleologia, Cascading, Bóia-Cross e Caminhada.
Nível: Fácil para Moderado 
 
Vídeo
 
Caderno de Viagem
O Petar, Parque Estadual Turístico do Alto do Ribeira, é um paraíso de cavernas escondidas sob um dos maiores remanescentes da Mata Atlântica do Brasil. Sem dúvida um dos melhores passeios ecoturísticos do país. Ainda assim, precisa-se tomar cuidado para que a visitação excessiva não cause impactos negativos ao frágil ecossistema de suas cavernas e florestas.

 
 
FNo carnaval de 2012 ficamos alojados no camping do Benjamim, diária de 14 reais por pessoa. Todos os passeios no parque exigem a presença de guia - tanto por segurança quanto por preservação, transmissão de conhecimento e apoio às comunidades locais. É só você entrar em contato com uma agência local e fechar um pacote de passeios. Escolhemos um pacote de 4 dias que ficou em torno de R$ 205,00 por pessoa, com o seguinte roteiro:

Dia 1: Núcleo Santana: Caverna Santana, Caverna Morro Preto, Caverna Couto, Cachoeira Couto e piscina natural do rio Betary.
Dia 2: Núcleo Santana: Trilha do Betary, Cachoeira Andorinhas, Beija Flor, Caverna Cafezal e Caverna Água Suja.
Dia 3: Núcleo Ouro Grosso: Caverna Ouro Grosso, Cachoeira Arapongas (cascading/rappel opcional), boia cross.
Dia 4: Núcleo Ouro Grosso; Caverna Alambari de Baixo, Cachoeira Sem Fim.
 
Dia 1


Começamos a conhecer as cavernas e atrativos do Petar pelo núcleo Santana, especificamente pela Caverna Santana, a mais visitada. A caverna é imensa - possui mais de 13 km conhecidos, mas apenas uma pequena parte é aberta para turismo. Sua visitação leva em torno de 2h30. Vários salões de estalactites e estalagmites, e muitas histórias. Num determinado ponto da caverna há um pequeno buraco onde só se consegue entrar rastejando de frente por um corredor estreito; ao final desse corredor se chega a uma parede onde está escrita uma frase secreta que é capaz de mudar a vida das pessoas. Mas todos que ali entram devem fazer um juramento de guardar segredo sobre o que leram - portanto, não posso compartilhar com vocês.

 
 
 

Segunda caverna do dia - Morro Preto. Seu pórtico é imenso e grandioso. A parte turística é bem limitada; podemos conhecer apenas seu primeiro salão. Ainda assim, vale a pena muito a pena ficar um tempo ali admirando em silêncio esse design natural impressionate.
Ao seu lado desce a Cachoeira Couto. Uma caverna começa em uma pequena entrada ao lado dassa cachoeira. Dentro dela precisamos atravessar as águas que logo depois escapam para fora da caverna formando a cachoeira. Seu percurso também é rápido, em menos de meia hora já avistamos a luz no fim do túnel na sua também bela saída.
 
Dia 2
Começamos o segundo dia pela Cachoeira das Arapongas. Ela possui 65m de altura e nela pode-se fazer um cascading (rappel). Geralmente o rappel está fora do pacote, e antes de viajarmos decidimos não fazê-lo. O problema é que quando a gente chega lá e olha aquele paredão e aquela cachoeira maravilhosa cortando a Mata Atlântica... impossível não encarar. A descida passa por três estágios de rappel. O primeiro estágio é a descida na rocha, onde vamos apoiando os pés no paredão liso; o segundo, entra-se debaixo da cachoeira, recebendo uma pancada de água em nossos capacetes; por fim o vão livre, onde descemos sem nenhum apoio para os pés, apenas pendurados. Uma das experiência mais íntimas com a força da natureza que um esporte pode proporcionar; sentimento de imensidão e fragilidade ao mesmo tempo. A visão lá do alto é linda e a descida emocionante.


O segundo desafio do dia foi a Caverna do Ouro Grosso. Essa caverna é uma das mais divertidas de todas. A entrada muito estreita - não tanto quanto à do buraco do segredo - mas com muita umidade e ventilação. Seguindo o curso dágua dentro da caverna chegamos a uma cachoeira. Antes de alcançá-la e ficar debaixo de sua queda deve-se cruzar um pequeno poço profundo. Entramos na suas águas geladas e curtimos a queda dágua em plena escuridão, com nossos capacetes apagados.
Para terminar o dia, partimos para a Cachoeira Sem Fim. O lugar é muito bonito, com três cachoeiras na sequencia. O único problema é que estava bem cheio de turistas, daqueles farofeiros mesmo, fazendo churrasco e ouvindo som alto. Um contraste -talvez por ser essa uma área de fácil acesso. De qualquer indicamos conhecer sim, pois na segunda cachoeira há um lugar onde é possível saltar de uma altura de 4 a 5m.


Dia 3
Esse era um dos dias mais esperados, onde conheceríamos a cachoeira Andorinhas e Beija-flor, uma das mais belas que existem. O caminho é um pouco mais longo, 3.6km na mata e e algumas vezes por dentro do raso e rochoso Rio Betarí; nada muito complicado para pessoas já acostumadas ao ecoturismo. Durante o percurso atravessamos o rio cinco vezes. É preciso se acostumar com os pés molhados o tempo inteiro. A mata é impactante; cheia de cheiros (como o Pau Dàlho), cores (como as flores das Bromélias) e sons (como o ruído de uma Jararaca à cruzar um monte de folhas no chão). Essa é umas das poucas Florestas Atlânticas que não possuiu ação antrópica anteriormente. Próximo às cachoeiras, o primeiro espetáculo: uma revoada de andorinhões cruzaram o nosso caminho a poucos metros de nossas cabeças, seguindo o rio, fazendo juz ao nome da cachoeira.Esta desce forte no meio de dois rochedos. É proibido nadar para baixo de sua queda, pois sabe-se ali um buraco fundo formando um redemoinho que já matou algumas pessoas. Seguindo a trilha um pouco adiante encontra-se a igualmente bela Cachoeira do Beija-flor, que também desaba fortemente. Nela é possível entrar nas suas águas geladas, um banho revigorante embaixo de sua segunda queda.

 


Na volta dessas cachoeiras paramos exploramos duas cavernas no caminho. A primeira foi a Cafezal, que tem enormes salões e abismos. A segunda foi a caverna Água Suja onde atravessamos alguns caminhos apertados e com muita água até chegarmos a um salão no qual apagamos as luzes e pudemos ver um linda claraboia no alto da caverna com grandes estalactites; parecia uma igreja gótica formada pela ação do tempo.

De volta, resolvemos adiantar o bóia cross para pegarmos a estrada no dia seguinte mais cedo. Descemos o rio Betarí por aproximadamente 50min montados em bóias de pneu de caminhão. O rio ali é raso e suas corredeiras velozes em grande parte do percurso. Ótimo para se refrescar e dar muitas risadas, após um dia inteiro de caminhada escorregadia.

 
 
Dia 4
Último dia. Foi um dia mais leve,  apenas uma caverna - a Alambari de Baixo. Para chegar nela andamos por volta de 2km numa pequena estrada de terra. Do pórtico da caverna já se pode sentir uma corrente de ar gelada - ar condicionado natural - vindo da corrente de água no interior da caverna. Entramos e aos poucos a profundidade dessa corrente de água vai aumentando. No meio do caminho uma obstáculo natural inesperado: uma Aranha Armadeira bem na pequena abertura pela qual deveríamos passar com apenas nossas cabeças para fora dágua. Uma picada dessa aranha nessa região superior do corpo pode ser mortal em poucas horas. Precisamos mudar o percurso e dar uma volta bem maior por cima de uma rocha para seguir em frente. Pouco depois entramos num túnel apertado com água até o pescoço. Caminhamos alguns metros naquele que é um dos lugares mais divertidos do parque, mas tivemos que parar antes de encontrar a saída da caverna, pois a água estava muito alta e dali para frente só mergulhando na escuridão de suas águas geladas. Por precaução tivemos que voltar, encerrando esses 4 dias de muito contato com a natureza, que com certeza nos deixou muitas saudades.

 

 
Considerações






Já esperávamos muito do Petar e ainda assim ele conseguiu nos surpreender e superar nossas expectativas. Suas matas, cavernas e cachoeiras muito preservados são um resumo de todo o esplendor que uma Mata Atlântica pode possuir. Com certeza um lugar para se visitar novamente e conhecer seus outros atrativos de mais difícil acesso, como por exemplo o núcleo Caboclos ou a Casa de Pedra. Quanto à infra-estrutura, o parque é muito organizado e mesmo estando movimentado por causa do feriado do Carnaval, não tivemos grandes problemas com os outros turistas. Fica apenas a preocupação de que o parque consiga se organizar de forma a minimizar os impactos do crescente turismo e usar sua renda a favor da preservação da natureza e das comunidades locais.

 


Leia mais...

Trilha Praia das 7 Fontes - Ubatuba






Trilha àquelas consideradas as praias mais limpas de Ubatuba

Dados Gerais
Onde Fica: Ao sul de Ubatuba, iníco no Saco da Ribeira


Atividades: Caminhada

Nível: Fácil
 
 
Vídeo
 
 
Caderno do Viagem

Começamos 2012 com uma trilha bem leve - a trilha das Sete Fontes, em Ubatuba.
Para se chegar à praia das Sete Fontes só existem duas alternativas: barco ou trilha.
Pesquisando na internet, lemos algumas pessoas falarem que a trilha levaria em torno
de 3h de caminhada de intensidade média/difícil. A dificuldade depende
muito de cada pessoa, mas essa caminhada com certeza pode ser qualificada nível
fácil. Para percorrê-la toda, com muita calma, demoramos algo em torno de 2h no

máximo. Além disso, a trilha é muito bem demarcada, boa parte com degraus de pedra,
o que facilita ainda mais.
 
A trilha começa pelo Saco da Ribeira (ao sul da cidade de Ubatuba), onde muitos
barcos ficam ancorados. Na metade do caminho passamos pela praia do Flamengo,
considerada uma das mais limpas de Ubatuba. E uma das mais belas também, de águas
bem verdes e calmas. De frente para a praia há algumas casas de veraneio - na nossa
opinião um dos únicos pontos negativo do lugar. Mas talvez sejam os caseiros e moradores
que ajudam a zelar pela limpeza e preservação do local. Algo a se pesquisar.

Entre algumas dessas casas a trilha continua rumo à praia das Sete Fontes. A subida aqui

é um pouco mais acentuada, formando
uma escadaria que cruza um morro; mas nada que com calma não possa ser
superado com tranquilidade; ainda mais por estar coberto de Floresta Atlântica,
protegido-nos dos raios de sol. Ao fim da descida chega-se atrás de uma pequena vila de
pescadores. Era Janeiro, época das Jacas; os pés estavam carregadas e muitos frutos,
de tão pesados, caiam e se partiam ao encontrar o solo. Um cheiro forte e adocicado
impregnava o ar.

A praia das Sete Fontes revelou-se muito bonita, com águas verdes escuras e
tranquilas. O único porém é que imaginávamos uma praia mais deserta devido ao
acesso um pouco dificultado. Porém não tardou a aparecer um escuna cheia dos
típicos turistas de verão com seus guarda-sóis e som alto, consumindo tudo que havia
disponível na barraca dos pescadores, principalmente cerveja. Mas nada que pudesse
tirar o prazer de estar um pouco mais próximo à natureza e de tomar um banho
de mar. No canto direito da praia encontramos uma casa de veraneio muito boa, toda
 
tomada pelo mato e raízes das plantas. Seu portão estava derrubado; a curiosidade nos
levou a explorar aquele cenário de filme macabro. Isso porque todo o interior
da casa ainda se encontrava decorado com se alguém estivesse acabado de sair
correndo às pressas. O quarto escuro revelava gavetas abertas, a roupa de cama
bagunçada com o lençol jogado como se alguém tivesse acabado de levantar. Mesas, pratos,
geladeiras, espelhos, tudo da mesma forma, decorados com toques de poeira, raízes,
folhas secas e o movimento repentino de alguns pequenos lagartos - os atuais
moradores da casa. Muito sinistro. Mas no fundo, apenas uma desapropriação de uma
 
casa construída ilegalmente. 
 

 
Em seguida, voltamos à praia do Flamengo que merecia um tempo especial para ser
aproveitada, em toda sua tranqulidade e beleza natural.
Resumindo, podemos dizer que a trilha das Sete Fontes é bastante simples e apesar do

destino final não ser um lugar mais intocado como esperávamos, valeu muito pelo visual

ao longo do seu percurso.
Leia mais...

Safári Africano no Cerrado Brasileiro







Acabei de voltar de uma viagem ao Quênia e Tanzânia. Observar os animais africanos em seu habitat natural uma experiência incrível. Principalmente por estarem em seu ambiente original, o que nos permite uma vivência genuína. A mesma coisa podemos dizer sobre observar a  fauna brasileira aqui em nosso país.
Porém, logo que cheguei de viagem umas das primeiras notícias que li me deixou atônito: estão querendo criar um verdadeiro safári com animais africanos em pleno cerrado brasileiro; especificamente no Jalapão, estado do Tocantins. Sério. Para entender a dimensão da proposta, segue a lista dos animas que pretendem importar: 150 antílopes (divididos entre kundus, impalas, elands e waterbucks);  34 rinocerontes (brancos e pretos); 30 zebras; 30 hienas; 28 elefantes; 26 girafas; 22 leões; 20 búfalos; 20 hipopótamos; 20 cães selvagens; 10 chitas e 10 leopardos. 

Paisagem do Jalapão

O projeto, que possui o nome de Out of Africa (alusão ao belíssimo filme estrelado por Meryl Streep e Robert Redford), é encabeçado pela empresa OOAB ‐ Conservação de Animais Silvestres e Proteção do Meio Ambiente S.A (esse nome é uma piada) sediada em Palmas. Prevê um investimento de R$ 350 milhões, que conta com um complexo hoteleiro de 3 resorts de luxo e uma área natural de 1.000 km2, que corresponde a um retângulo de terra de 20 por 50 kms. Os animais seriam introduzidos nessa área sem qualquer manejo ambiental, e passariam a conviver com onças pintadas e lobos guarás entre outros animais existentes ali.

Segue o vídeo promocional (cheio de falhas):


O mais incrível é que esse projeto maluco ganhou força política e apoio econômico no Tocantins; é óbvio que por trás dessa roupagem de proteção de animais ameaçados de extinção está o interesse pelo potencial turístico do projeto e o dinheiro que ele geraria para seus (ir)responsáveis ‐ os empresários e políticos envolvidos.

O projeto esbanja contradições e riscos. Abaixo pontuo alguns deles:
 
1‐ Onde é que fica a nossa própria fauna e flora nessa história? O cerrado no Jalapão é um ecossistema frágil e as espécies que ali vivem estabelecem um delicado equilíbrio entre si. Ele não agüentaria essa grosseira introdução de grandes espécies exóticas. Onde está a valorização de nossas espécies nacionais? É óbvio que para tentar salvar espécies africanas esse projeto atingirá as nossas que já vivem um perigo maior de extinção.



2‐ Alguém está levando em conta as diferenças geológicas e evolutivas entre o Cerrado e a Savana? A separação entre o Brasil e África ocorreu há mais de 60 milhões de anos. Muita água já rolou nessa história. Apesar de se assemelharem numa análise puramente visual e superficial, os dois ecossistemas possuem milhões de diferenças. Por exemplo, nossa flora não é a mesma. Como os animais herbívoros importados se alimentarão? As espécies de vegetais serão importadas também? E mesmo se forem, a composição de nosso solo não é a mesma da Savana e elas possivelmente não se adaptariam. Nem os recursos hídricos são os mesmos.

 

3‐ E se o projeto falir algum tempo depois de sua inauguração. O que será dos animais de lá? Mandarão abater todos os animais que antes pretendiam proteger? E mesmo se não falir, será que esses idealizadores são ignorantes o suficiente para imaginar que tantos animais desse porte, acostumados a longas migrações sazonais nas savanas africanas, ficarão comportados em perfeito equilíbrio natural dentro das cercas que criamos para eles? Não levam em conta fatores como seca, superpopulação, fuga de animais, acidentes com humanos? A verdade é que projeto Out of África está mais próximo de se tornar um roteiro de Jurassic Park.


4‐ E enquanto se encontra somas milionárias para um projeto sem pé nem cabeça desses, o dinheiro reservado para criação de novas áreas de proteção ambiental no Tocantins diminui. Parece que a valorização de nossa fauna está apenas em colocar alguns poucos exemplares estampados em nossa moeda nacional.


O fato é que a experiência de um safári é interessante na África, e ajuda a preservar o que a natureza criou com tanto trabalho por lá. Assim como ver nossos animais aqui no Brasil é uma experiência tão impactante quanto. Posso dizer por conhecimento de causa. Criar mais uma unidade de conservação na África para proteger seus animais é louvável; trazê‐los para o Brasil à custo da destruição de nosso ecossistema, é inaceitável. Mesmo que o empreendimento dê certo. O que eu, e toda uma comunidade científica, duvidamos que aconteça.

Técnicos, ativistas e o público em geral se levantaram contra essa proposta e organizaram um abaixo assinado, que trago no link abaixo:




Leia mais...

Mata Atlântica: Ecossistema 3 - Mata de Araucárias





A Floresta Ombrófila Mista é um ecossistema da Mata Atlântica popularmente chamado de Mata de Araucária pelo fato de ter grande parte de suas árvores compostas por uma única espécie muito particular: a Araucaria angustifolia, também conhecida como Pinheiro-brasileiro ou Pinheiro-do-Paraná, uma árvore de tronco cilíndrico e reto, cujas copas dão um destaque especial à paisagem. A Araucária é endêmica do Brasil e nossa ilustre representante das coníferas (pinheiros). A sua predominância na Floresta Ombrófila Mista não é aleatória; por ser uma árvore pioneira e heliófila (planta resistente à constante exposição ao sol), a Araucária cresce onde antes não havia floresta e acaba servindo como guarda-sol para que outras árvores, ervas, fungos, musgos e liquens cresçam à sua sombra e proteção. Além disso, é uma árvore muito resistente ao frio e pode viver até 700 anos, alcançando o diâmetro de dois metros e uma altura de até 50.
Está presente em regiões nas quais predomina o clima subtropical, ou seja, regiões que apresentam invernos rigorosos (com geadas freqüentes e até mesmo neve) e verões quentes, com volume de chuva relativamente elevada e bem distribuída durante o ano - daí o motivo da palavra Ombrófila (amiga das chuvas) em sua nomenclatura.


Localização

A Floresta de Araucária, na época do descobrimento do Brasil, se estendia numa faixa que ia do sul do estado se São Paulo até o norte do estado do Rio Grande do Sul. Cobria cerca de 185.000 km2 da região Sul do Brasil - 37% do estado do Paraná, 31% de Santa Catarina e 25% do Rio Grande do Sul, unidas numa grande área contínua. Dá para imaginar as imensas florestas de Araucárias que os Europeus encontraram por aqui?
Estava presente, também, em manchas dispersas pelas regiões serranas de Minas Gerais,  São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, nas partes elevadas das Serras do Mar, Paranapiacaba, Bocaina e Mantiqueira, sendo a árvore símbolo desta última.
Hoje restam apenas 3% da cobertura original, espalhados em pequenos fragmentos.

Em verde escuro, a cobertura original da Mata de Araucárias antes da chegada dos Europeus 



Flora

A Araucária constitui o andar superior da floresta, com o sub-bosque bastante denso. Neste são identificadas espécies como imbuia, canelas, cedro, ipês, sassafrás, pinheiro-bravo, guabiroba, pitanga, erva-mate e xaxim, algumas das quais endêmicas e muito ameaçadas.



A Fauna e o Pinhão


Um dos pratos típicos das festas juninas no Sul e Sudeste, o fruto da Araucária é conhecido como pinhão. Cada Araucária produz, no mínimo, 50 kg de pinhões por ano e alguns podem passar de 100 kg. Este também está no cardápio obrigatório da fauna do ecossistema. O pinhão é a principal fonte de alimento no inverno, quando quase não existem outras frutas disponíveis nos ambientes de clima subtropical e temperado úmido brasileiros; além de ser uma alimento bastante nutritivo. Por isso é procurado por ratos-do-mato, cotias, pacas, capivaras, ouriços, e muitas aves, entre as quais se destacam o papagaio-charão e a gralha-azul.
Esta última é de fundamental importância para manutenção da Mata de Araucárias. Pois ao se alimentar de pinhão e transportá-los durante o voo, muitas vezes derruba-o no solo. Isso permite que uma árvore nova germine longe de sua árvore mãe, o que fortalece o material genético da espécie. A gralha também deposita o pinhão em esconderijos como fendas em troncos de árvores, onde estes acabam germinando também.





História

A Araucária é uma árvore pré-histórica; coexistiu com os dinossauros. O gênero Araucária já existia no Triássico, porém a nossa araucária angustifolia surgiu no final do período Jurássico, há 200 milhões de anos. Ela sobreviveu à extinção dos largatões. E o mais interessante é que nessa época ela era encontrada apenas na região Nordeste do Brasil. Só recentemente, por volta de 10 mil anos atrás, que esta espécie de árvore se expandiu para o sul do país, provavelmente devido à alteração climática após fim da era do gelo. Essa expansão foi realizada através de migração da flora nos vales mais baixos, seguindo o curso dos rios, enquanto no restante da região predominava a vegetação herbácea. De acordo com o aquecimento do globo terrestre as tímidas florestas de araucárias forma se expandindo para regiões mais altas, nas montanhas e planaltos, até adquirir as feições que tinham quando os europeus aqui chegaram.


No inicio do século XX, nos estados do sul, houve o estimulo para o aquecimento da economia local através do corte das Araucárias e exploração de sua madeira. O problema é que a Araucária produz a melhor madeira branca, de fibra longa, da flora brasileira. É leve e sem falhas,  ideal para vigamentos em construções e qualquer uso em locais não expostos à chuva. A árvore demora cerca de 16 anos para produzir boa madeira. É um curto período de crescimento, principalmente se for comparado ao dos pinheiros europeus, que levam cerca de 50 anos para atingirem esse desenvolvimento.
A floresta atingiu quase o se total esgotamento em meados do século e os donos das serralherias que começaram a falir passaram, então, a se envolver em atividades agropecuárias tão danosas para o ecossistema quanto a atividade madereira.


Situação Atual


 “A Araucaria angustifolia, é uma das espécies mais antigas da flora brasileira, passou por diversos períodos geológicos, foi submetida às mais drásticas mudanças climáticas, conviveu com invasões e retrações marinhas, extinções de seres, mas no curto tempo de duas gerações humanas, não está resistindo às queimadas, ao fio de machados e motosserras, disputas de ter­ras, ausência de políticas públicas estratégicas, e a imperiosa cultura humana de domínio e pos­se” ( Koch & Correa, 2002).

Hoje, a Araucaria angustifolia é quase uma relíquia em meio a destruição humana. Além disso, a violação da mata afugentou uma gama de espécies animais que ali viviam como onças pintadas, tamanduás, tucanos, entre outros.

Atualmente apenas 1,2% de sua cobertura original encontra-se preservada, e somente 0,22% (40.774 hectares) está sob a proteção de unidade de conservação (UC).
O desmatamento também acelera a perda da variabilidade genética das Araucárias, o que enfraquece a espécie. Para agravar, os madeireiros ilegais entram na mata e retiram as melhores árvores - maiores e retilíneas - e deixam apenas os indivíduos inferiores (quando deixam). As árvores descendentes vão se tornando cada vez menores, mais frágeis. Há projetos importantes de clonagem de Araucárias através de matrizes de indivíduos superiores (maiores e mais fortes) para produzirem melhores descendestes, mas esse processo leva muito tempo e recurso.

O fato é que a Floresta Ombrófila Mista está caminhando para a extinção, e se não forem criadas unidades de preservação imediatamente, aliando-as com projetos de replantio e clonagem, a Serra da Mantiqueira e o Paraná correm o risco de perder seu símbolo e o melhor adorno de suas paisagens. E a humanidade ficará sem esse belíssimo ecossistema.




Leia mais...